Episódio 5 – Calça branca, macacos selvagens, Escrava Isaura… – o que os russos sabem do Brasil?

Neste quinto episódio do podcast Café Com Kremlin, conversamos sobre os estereótipos que os russos têm sobre o Brasil. Além de Carnaval, futebol e praia, eles associam o Brasil a calça branca, macacos selvagens, lambada, Escrava Isaura… Calma! Calça branca? Macacos selvagens? De onde eles tiraram isso? A gente explica tudinho no podcast.

Ah. Durante a conversa, a gente falou sobre a versão russa da nossa música “Tic Tic Tac:. Conforme prometemos, aí vai o clipe:
www.youtube.com/watch?v=EW93pojria8

 

 

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Episódio 4 – Papel de gênero na sociedade russa

Nosso quarto episódio do podcast Café Com Kremlin fala sobre o papel de gênero na sociedade russa. Tema complexo e que ainda vai merecer muitas outras conversas.

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Episódio 3 – Repercussão da tragédia na Sibéria, sanções ocidentais contra a Rússia e Copa do Mundo

Nosso terceiro episódio do podcast Café Com Kremlin fala da tragédia na cidade russa de Kemerovo e como o assunto repercutiu internamente e internacionalmente. Um incêndio em um shopping da cidade deixou 64 vítimas fatais, incluindo 41 crianças.

Falamos ainda sobre a decisão coordenada de mais de vinte países ocidentais de expulsar ao mesmo tempo mais de cem diplomatas russos. A decisão foi tomada um dia após a tragédia no shopping russo.

E terminamos falando de Copa do Mundo. Helen, Filipe e eu fomos aos amistosos em Moscou e São Petersburgo e contamos pra vocês como estão os estádios da Copa.

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Episódio 2 – Reeleição de Putin, crise diplomática entre Londres e Moscou e Copa do Mundo

 

Nosso segundo episódio do podcast Café Com Kremlin fala da avassaladora – mas que não chega a ser surpreendente – vitória de Vladimir Putin nas eleições presidenciais russas. Analisamos os números, o comparecimento às urnas e a oposição.

Conversamos ainda, brevemente, sobre o novo capítulo da crise entre Reino Unido e Rússia. Boris Johnson disse que a realização da Copa do Mundo pela Rússia de Putin pode ser comparada à realização da Olimpíada de 1936 pela Alemanha de Hitler.

E terminamos batendo um papo sobre o amistoso entre o Brasil e a Rússia, em Moscou, na sexta, 23/03. E também sobre como a Rússia está preparada para receber os turistas pr’esta Copa do Mundo. Será que é fácil se virar no país sem falar russo?

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Podcast Café Com Kremlin – Eleições Presidenciais da Rússia – Episódio 1

 

 

Nasceu.

Hoje, começamos o podcast Café Com Kremlin. Somos três amigos – Helen Almeida, Filipe Barini e eu, Sandro Fernandes. Três pessoas que moram ou moraram na Rússia, interessados em tudo sobre o maior país do mundo.

Nós decidimos começar este podcast pra tentar destrinchar um pouco a Rússia. Todo dia, quando a gente liga a televisão ou abre o jornal, tem notícia da Rússia. Mas o que é a Rússia? Quem é a Rússia? Quem são os russos? A gente vai falar muito de política, mas também de economia, de sociedade, de curiosidades, de Copa do Mundo e do que vcs pedirem e o que aparecer nas nossas cabeças. O espaço aqui vai ser de troca de figurinhas – uma troca democrática e respeitosa.

Este é o nosso primeiro podcast.  já achamos erros de edição, um erro de áudio na gravação – acho que todo mundo notou hehe – e muitos outros probleminhas.

Por enquanto, ficaríamos felizes com opiniões de vocês a respeito do conteúdo. Ficou claro? Compreensível? Muito confuso? Muito rápido? Muito lento?

Espero ver todo mundo aqui, no Podcast Café Com Kremlin, semana que vem. 🙂

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Resultado de eleições parlamentares reforça intenção da Ucrânia de se aproximar da União Europeia

Com 99,87% dos votos apurados das eleições parlamentares do último domingo (26), os ucranianos confirmaram nas urnas o desejo de aproximação com a União Europeia e de distanciamento da Rússia. O presidente Petro Poroshenko antecipou as eleições, que seriam realizadas somente em 2017, com o objetivo de “limpar o Parlamento da influência do ex-presidente Victor Yanukovich”, deposto em fevereiro deste ano.

Para Vadim Karasyov, diretor do Instituto de Estratégias Globais de Kiev, a antecipação das eleições “favoreceu enormemente os partidos pró-Ocidente”, já que o pleito acontece em meio a um crescente sentimento anti-Rússia na Ucrânia. “Não estou dizendo que seja bom ou ruim. É apenas uma constatação. As vontades e necessidades dos ucranianos mudaram muito rapidamente. Não houve muito tempo para reflexão, mas as pessoas esperam que a mudança seja positiva”.

Os três partidos que obtiveram mais votos defendem o ingresso do país na União Europeia. O partido Frente Popular, encabeçado pelo atual primeiro-ministro Arseni Yatseniuk, chegou na dianteira, com 22,15% dos votos, seguido de perto pelo partido Bloco do Poroshenko, liderado pelo atual presidente Petro Poroshenko, com 21,82%. Em terceiro lugar, veio o Partido Samopomich (Autosuficiência, em tradução livre), com 10,97% dos votos, que tem como líder Andriy Sadovyi, prefeito de Lviv, no oeste do país, um dos bastiões pró-Europa da Ucrânia.

Os três partidos juntos chegam à marca de 54,94% dos votos “São partidos pró-Ocidente, anti-Rússia, nacionalistas e que defendem valores tradicionais e conservadores”, explicou Karasyov. “Um lado bastante positivo deste resultado é que os três partidos se comprometem com a resolução pacífica do conflito no leste da Ucrânia”

Segunda a lei eleitoral ucraniana, apenas os partidos que atingem um mínimo de 5% de votos podem ser representados no Parlamento. Desta forma, dos 29 partidos que estavam na disputa, somente seis irão eleger parlamentares.

O Bloco de Oposição, único partido pró-Rússia que conseguiu atingir a marca mínima para eleger parlamentares, terminou em 4° lugar, com 9,41% dos votos.

O Parlamento contará ainda com o Partido Radical de Oleg Lyashko, com 7,44% dos votos, e o Partido União de Toda a Ucrânia, também conhecido como Partido da Pátria, com 5,68%, de Yulia Timoshenko, ex-primeira-ministra da Ucrânia. Ambos os partidos são pró-Ocidente e defendem que o fim do conflito no leste do país deve ser à base da força.

Em seu primeiro discurso como líder vitorioso das eleições parlamentares, o primeiro-ministro Yatseniuk propôs uma aliança entre os cinco partidos pró-Ocidente que conseguiram assentos no Parlamento. A coalizão teria 68,06% dos votos e se chamaria “Ucrânia Europeia”. Segundo o primeiro-ministro, o nome é “em homenagem às pessoas que lutaram na Maidan (principal praça de Kiev)”. E concluiu: “As pessoas esperam que a gente cumpra o acordo entre a Ucrânia e a União Europeia e que a Ucrânia se torno um país europeu”. Yatseniuk pretende formalizar todas as alianças no prazo de 20 dias.

O líder do partido Bloco de Oposição, Yuriy Boiko, que representa a única força pró-Rússia do novo Parlamento, prometeu “colaborar com o governo em assuntos-chave” e garantiu o apoio a qualquer plano que leve à paz no leste do país.

Guinada irreversível ao Ocidente

O cientista político Dmitry Porenko acredita que o povo ucraniano deixou um recado claro nas urnas. “Em 2012, tínhamos um país dividido, com o leste pró-Rússia e o oeste pró-Europa. Agora, temos pouquíssimas regiões que ainda estão sob a influência russa. Na verdade, quase exclusivamente quatro regiões do extremo leste: Kharkiv, Luhansk, Donetsk e Zaporizhia”, analisa Porenko.

Ucrânia nas eleições parlamentares de 2012 e 2014 (em laranja, o apoio a partidos pró-Europa, em azul, pró-Rússia)

Ucrânia nas eleições parlamentares de 2012 e 2014 (em laranja, o apoio a partidos pró-Europa, em azul, pró-Rússia)

Para ele, no entanto, o mais importante é o fato de os ucranianos não terem legitimado nas eleições partidos que não queiram o diálogo. “O partido Svoboda, por exemplo, quase chegou aos 5% exigidos. O discurso deles está muito mais moderado do que antes, mas mesmo assim eles não lograram eleger nenhum representante. Ninguém quer alimentar o ódio. O partido Setor Direita também também não conseguiu eleger parlamentares”. E completa: “É verdade que havia muitas forças extremistas durante os protestos, mas não é a maioria da população. Quem lê as notícias russas pensa que os ucranianos estão apoiando fascistas, mas esses (os fascistas) são uma minoria”.

O Svoboda teve 4,71% dos votos e o Setor Direita, 1,80%. Ambos foram grupos ativos nos protestos na praça Maidan, de Kiev, e são acusados de extremismo e nacionalismo.

O bloco do Poroshenko declarou esta semana que não exclui a possibilidade de chamar o Svoboda para compor a coalizão pró-Europa, já que o partido representa algumas das aspirações dos protestos da Maidan.

A conversa com o Setor Direita não é vista como algo viável. “Eles não apóiam a integração da Ucrânia com a União Europeia nem a aproximação com a Rússia. O partido diz que os dois lados teriam apenas ‘ambições imperialistas’ com a Ucrânia”, explica Porenko. O Setor Direita é apontado ainda como antissemita e de flertar com a ideologia nazista. “Com o Setor Direita, não haverá possibilidade de diálogo. E que bom que os ucranianos entendem isso”.

A vontade de distanciamento da Rússia também foi evidenciada pelo baixo apoio ao Partido Comunista da Ucrânia (KPU, na sigla em ucraniano). O partido terminou em oitavo nas eleições, com apenas 3,87% de votos e, pela primeira vez na história do país, não terá um representante no Parlamento. “Isso é uma recado claro que os ucranianos estão dando à Rússia. É uma guinada irreversível ao Ocidente. O Partido Comunista da Ucrânia foi contra a deposição do (ex-presidente) Yanukovich, contra os protestos na Maidan e apoiou a anexação da Crimeia pela Rússia, além de financiar os separatistas do leste”, conta Porenko. Nas eleições do último domingo, o KPU obteve 11,88% dos votos em Luhansk e 10,05% em Donetsk, as regiões pró-Rússia, quase o triplo da média nacional.

O Parlamento Europeu declarou que a “impressão geral (das eleições) foi positiva”, citou a “clareza do processo” e destacou que “o povo ucraniano e as autoridades (do país) claramente escolheram a paz”. O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse que reconhecerá as eleições parlamentares. “É muito importante que surjam na Ucrânia autoridades que não se dediquem aos reais problemas do país”, disse o chanceler russo.

Eleições no leste do país

Os líderes da autoproclamada Novarrússia (Donetsk e Luhansk) organizam eleições regionais no próximo domingo (2), onde pretendem escolher seus próprios parlamentares e presidentes, sem a interferência do governo central de Kiev.

O governo ucraniano havia concordado em conferir maior autonomia ao leste do país e definiu a data das eleições regionais para o dia 7 de dezembro. Os separatistas não concordaram e mantêm a data do pleito na região para o dia 2 de novembro, uma semana depois das eleições parlamentares na Ucrânia.

Kiev não reconhecerá o resultado. O secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, disse que a votação viola a constituição ucraniana. A União Europeia também alertou que as eleições no leste do país não são legítimas e que “sabotam o acordo de paz”, assinado em Minsk (Belarus). A Rússia já informou que reconhecerá as eleições organizadas pelos separatistas.

Desde a assinatura do cessar-fogo, em 5 de setembro, pelo menos 300 pessoas foram mortas no leste da Ucrânia.

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1914-1975: através do álbum de fotos do avô de uma amiga russa

A partir de hoje, o blog Café com Kremlin se muda temporariamente para o leste da Ucrânia. Mas antes de começar a falar sobre os recentes conflitos na região, que desde abril está sob o controle de grupos separatistas pró-Rússia, resolvi compartilhar com vocês as fotos do álbum de uma das minhas melhores amigas.

Minha amiga se chama Olga Kozhevnikova, mora em Moscou e nasceu em Luhansk, no final da década de 50, durante a União Soviética. Luhansk é uma das regiões do leste da Ucrânia mais atingidas pelos conflitos entre insurgentes e forças do governo ucraniano deste ano. Mas não falemos disso agora.

Olga me enviou esta semana fotos do álbum do seu avô – Aleksandr Vasilyevich Druzhinin. Vovô Sasha, como era chamado e como chamarei aqui na postagem, nasceu em 1897. Seu pai era alfaiate e sua mãe uma nobre. Sasha foi bolchevique durante a Primeira Guerra Mundial e lutou também na Segunda Guerra Mundial.

Olga me contou que seu avô lhe ensinou algo que ela guarda para toda a vida – “O mundo não está polarizado entre branco e negro. Há sempre nuances”.

Como começaremos a falar aqui no blog sobre a guerra civil do leste da Ucrânia, que já deixou mais de 2 ml mortos em quatro meses, acho que o ensinamento do vovô Sasha serve como primeira reflexão – não há mocinhos nem bandidos claramente definidos nesta história.

Nos próximos posts, dividirei com vocês o que eu vou vendo e vivendo aqui em Donetsk, mas por hoje, ficaremos com fotos do vovô Sasha e da família da minha amiga Olga.

** PS: A legenda das fotos está em forma de rascunho e incompleta. Não estou conseguindo editar, mas espero conseguir em breve. De qualquer maneira, não há nenhum erro, apenas falta informação. 

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Copa na Rússia – eu vou! (post 3)

O que será que os russos fazem no dia a dia que causa estranhamento aos brasileiros? E o contrário? Antes de viajar, é sempre bom conhecer os hábitos do destino e evitar situações desconfortáveis.

Este post vai ser atualizado aos poucos porque, obviamente, há inúmeras diferenças culturais curiosas. Espero colaborações daqueles que já conhecem bem os russos (e dos russos que conhecem os brasileiros):

1) Dois beijinhos? Três beijinhos? Ou sem beijinho?

Lembro como se fosse hoje o dia em que um amigo meu de Rondônia, gente boa até o último fio de cabelo, veio me visitar em Moscou. Naquela época, eu dividia apartamento com uma russa de Kirov. O amigo brasileiro chegou todo feliz e quando foi apresentado à minha companheira de apartamento, ele não pensou duas vezes – abraçou e beijos e sorriu, como fazemos sempre no Brasil até mesmo com desconhecidos.

Ele estava tão contente por estar Moscou que não percebeu que a pobre menina russa não estava nem um pouco à vontade com aquela efusão de alegria e simpatia a la brasileira.

A regra é:

– Entre homens, aperto de mão é o costume;

– Entre mulheres, um “Oi” com a cabeça é suficiente;

– Entre um homem e uma mulher, NÃO há beijinho. Talvez uma russa mais ocidentalizada não se surpreenda em ser cumprimentada com beijos, mas a regra geral é apenas fazer um movimento com a cabeça. Até mesmo um aperto de mão pode causar desconforto.

Ou seja, nada de sair distribuindo beijos de “Prazer em conhecer” pela Rússia, brasileirada.

2) Sapatos em casa? Nem pensar.

Assim que chegar à casa de qualquer pessoa, tire os sapatos. Você anda de meia, descalço ou coloca um dos chinelinhos (“tapochki”) que todos os russos têm para as visitas na entrada. Andar de sapato em casa é sinal de desrespeito, já que você está trazendo toda a sujeira da rua pra casa. Este é um costume que adotei pra mim, em qualquer lugar. Higiene nunca é demais.

"tapochki"

“tapochki”

3) Cabelo liso pra festa? 

Enquanto no Brasil as meninas (ainda) alisam o cabelo quando vão a uma festa, na Rússia é o contrário: elas fazem o cabelo cacheado para ocasiões especiais.

4) Só estou dando uma olhadinha

Brasileiro em loja se acha o rei do espaço. Ele chega, já quer ser logo atendido, prova todas as roupas das coleções dos últimos 10 anos e… não compra nada. Tenta fazer isso na Rússia e você verá a cara dos vendedores. hehe A gente está mal acostumado ao serviço brasileiro, em que o cliente tem (em teoria) sempre razão. Na Rússia, não é assim.

5) “Rir sem motivo significa que você é bobo”

Esta é uma frase popular russa que todo mundo conhece – “Смех без причины-признак дурачины” (“Rir sem motivo significa que você é bobo”)

No Brasil, quando vamos comprar uma coxinha ou um anel de ouro, os vendedores sorriem. Quando entramos no ônibus, sorrimos para o trocador. Quando cumprimentamos o porteiro, sorrimos.

Na Rússia, rir tem que ter um motivo, uma razão. Rir somente “por não ter a vergonha de ser feliz” é muito sul-americano.

Isso não significa que os russos não sejam simpáticos. Só significa que não ficam mostrando os dentes pra qualquer um.

Eu – como bom brasileiro – não me adaptei a isso ainda e sorrio pra todo mundo.

6) Não temos troco

Se alguém não tem troco no Brasil, este alguém vai tentar trocar o dinheiro com todas as pessoas possíveis em um raio de 100km. Na Rússia, se não tem troco, o vendedor simplesmente vai te dizer que não pode vender o produto, sem nenhum esforço para resolver o problema.

7) Machismo de etiqueta ou cavalheirismo?

Em 99% dos casos, o homem paga a conta do restaurante para a mulher. E se ela for só uma nova amiga? Também. Espera-se que o homem pague a conta e ponto final. Tenho UMA amiga russa que sempre faz questão de dividir comigo a conta. As outras sabem que sou eu quem tem que pagar. Já ouvi até mesmo mulheres aqui dizendo que esta era uma atitude feminista, pois como os homens são privilegiados a vida inteira, nada mais justo do que fazer com quem eles paguem sempre as contas.

Os homens aqui abrem a porta de casa, da loja e do carro. E em transporte público, muitos deles cedem lugar às meninas – independentemente da idade.

8) Beijos em público

Durante o verão, os hormônios estão mais à flor da pele e você vê jovens se beijando de vez em quando. Fora do verão, a chance de ver um beijo na rua é quase nulo. Casais gays, NUNCA. Pode ser perigoso.

9) “Psiu”

Os russos não se aproximam das mulheres fazendo “Psiu” ou similares. Isso é coisa do macho latino. Aqui, este comportamento pega muito mal.

*** Colaborações: Julia Bobrova Passos, Danilo Prestes. Obrigado

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Copa na Rússia – eu vou! (post 2)

Caros amigos,

Vamos continuar tirando algumas dúvidas básicas que podem ser úteis para quem quer visitar a Rússia durante a Copa 2018.

Cidade-base

Muita gente tem me perguntado qual é a melhor cidade na relação custo-benefício-deslocamento para usar como base. É muito difícil sugerir algo sem saber o interesse de cada um. Tem gente que quer aproveitar para passear pela Europa também. Tem gente que quer ver os jogos (qualquer jogo) nos estádios. Tem que quer quer ver os jogos do Brasil nos estádios. Tudo depende de inúmeras variantes, mas como tantas pessoas me fazem a mesma pergunta, eu vou deixar de enrolar e arriscar um palpite: Níjni Novgorod (Nizhny Novgorod).

Das 11 cidades-sede, só não conheço Saransk. Por que meu voto é para Níjni Novgorod?

1) LOCALIZAÇÃO

Pelo mapa, dá pra notar que Níjni é a mais cêntrica das cidades-sede. Quem pensa em se deslocar, é uma boa base.

cidades-sede-russia

2) INTERESSE TURÍSTICO

Quando fiz a Transiberiana, há pouco mais de um ano, Níjni Novgorod foi uma das mais gratas surpresas. Fiz a viagem em junho, exatamente no mês da Copa. A cidade é vibrante, cheia de bares na rua principal, tem uma fortaleza (kremlin) belíssima e é a cidade-natal do escritor russo Maxim Górki. Ah! E tem o rio Volga, maior rio da Europa.

Vejam a postagem que fiz sobre a cidade (com fotos): http://omundano.com/2013/06/15/nizhny-novgorod-rio-volga-literatura-e-uma-agradavel-rua-de-pedestres/

Níjni Novgorod por si só já seria interessante, mas a localização dela faz da cidade um ponto estratégico pra quem vai visitar a Rússia em 2018. Níjni fica exatamente entre Moscou e Kazan. Moscou é a capital e dispensa comentários. Kazan é a cidade queridinha dos russos, capital de uma região chamada Tartaristão, de maioria muçulmana. Um dos destaques é a imensa diversidade cultural da região, sem aqueles conflitos étnico-religiosos que a gente ouve em outras áreas. A comida é ótima e a cidade tem um museu soviético muito interessante. Ah! E o centro da cidade é patrimônio da Unesco.

Postagem sobre Kazan: http://omundano.com/2013/06/16/kazan-diversidade-patrimonio-da-unesco-e-um-museu-da-vida-sovietica/

Possível pergunta: “Sandro, mas Níjni Novogorod é uma cidade muito pequena? Não quero me meter no interior da Rússia”

Resposta: “Não mesmo. Níjni tem 1,2 milhão de habitantes, sendo a quinta maior cidade da Rússia. E devido à importância histórica, Níjni disputa com Kazan o título de terceira capital da Rússia (a segunda, agora, é São Petersburgo).”

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3) PREÇOS

A gente sabe que os preços aumentam em época de Copa do Mundo, mas falando de valores atuais, a acomodação em Níjni Novgorod é pelo menos 30-35% mais barata do que em Moscou. Por exemplo, enquanto o hotel Ibis de Moscou cobra R$ 350 pelo quarto duplo, o Ibis de Níjni Novgorod cobra R$ 230.

A economia com restaurantes também seria na ordem de 30%. Nos supermercados, os valores não sofrem diferenças tão grandes.

* Apesar de os russos já terem prometido que não haverá abuso de preços dos hoteis, como aconteceu no Brasil, é sempre bom ficar atento a estes valores.

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Nota de 5 mil rublos, equivalente a R$ 316

Acomodação (parte 2)

1) Camping

Acomodação é a principal dúvida das pessoas. Já falei um pouco sobre valores de albergue e hotel (em Moscou) no primeiro post, mas vou retomar o tema agora.

Muita gente me perguntou sobre camping na Rússia. Compartilho aqui um link (em inglês) com a lista dos campings da Rússia: http://en.camping.info/russia/campsites

Tem camping em Moscou e os valores começam em R$ 60 (o valor é pelo espaço; não importa o número de pessoas no carro). Sim, carro. Em quase todos estes campings, o espaço é somente para carros. Ficar em barracas não é algo comum nem organizado na Rússia. Quem acampa com barracas, acaba fazendo camping selvagem.

Mas, por favor, evitem camping selvagem. Não quero ser responsabilizado por brasileiros sendo devorados por ursos – ou pela polícia russa.  🙂

2) Cápsulas para dormir

O “sleepbox” está ficando cada vez mais popular no mundo inteiro e já chegou a Moscou. Nunca ouviu falar? É simples. Tem gente que não faz questão de sauna, piscina, restaurante, serviço de quarto e todas aquelas coisas de hotel. Só querem chegar, dormir e sair pra rua. Neste caso, as cápsulas para dormir pode(ria)m ser uma opção.

A capital russa tem este tipo de acomodação. Veja o link do “hotel”: http://sleepbox-hotel.ru/

Eu, particularmente, acho que o custo-benefício não compensa. Se for pra economizar, prefiro ficar em albergue. De qualquer maneira, pros curiosos, confiram os valores:

– cápsula para duas pessoas, por dia: 183 reais

– cápsula para duas pessoas, por hora: 15 reais

sleepbox

Restaurantes e supermercados

Depois de acomodação, comida é a dúvida mais frequente entre viajantes. Para quem vai ficar na casa de amigo, usar o CouchSurfing ou o Airbnb, eu tenho uma boa notícia: o preço de praticamente todos os produtos nos supermercados russos é inferior aos preços do Brasil. Cá entre nós, eu não sei como as pessoas compram comida em supermercado no Brasil. Sempre fico em choque quando estou aí e vejo o preço das coisas. Na Rússia (como em quase toda a Europa), comprar em supermercado é relativamente barato. Um pacote de 0,5kg de macarrão, por exemplo, não custa nem R$2 (valor para um macarrão decente, mas sem frescura; quem for mais radical, encontra pacote de meio quilo por menos de 1 real). A má notícia é que os maiores supermercados (com melhores preços) não estão no centrão das cidades.

Duas redes importantes de supermercado são Ashan e Perekrestok. Os sites deles trazem os endereços dos mercados (em russo): http://www.auchan.ru/ e http://www.perekrestok.ru/

Comprar comida na Rússia é a coisa mais simples do mundo graças às milhares, milhões, bilhões de lojinhas que vendem todo tipo de comidinha (muitas vezes, abertos 24h). Você vai identificar logo. Chama-se продукты (o famoso “Produkty”). Os preços são ligeiramente superiores aos dos supermercados, mas nada muito abusivo (por enquanto, pelo menos).

Quem puder cozinhar, quiser economizar e não for muito talentoso no fogão, a minha grande dica e o”pelmeni”, o ravioli russo (foto abaixo). Com meio pacote dele (R$3 o pacote mais barato), você fica a tarde inteira sem fome.

pelmeni

Pergunta possível: “Sandro, eu não sou tão pobre nem radical nem mochileiro. Você recomenda algum restaurante bom, bonito e barato pra gente?”

Resposta: “Claro que sim. A minha sugestão é andar pela área de Kitay Gorod (metrô com mesmo nome). Esta região fica bem no centro de Moscou, dá pra ir andando do Kremlin e os restaurantes têm preços mais acessíveis pro padrão da cidade. Um dos restaurantes mais populares entre a galera cool de Moscou é o Propaganda. Olhem aqui o menu (em inglês), com preços à direita, em rublos:  http://www.propagandamoscow.com/en/menu/ As saladas custam entre R$15 e R$20. Os pratos principais estão na mesma faixa de preço. O prato mais caro é o bife coreano, por R$25 (super recomendado). A cerveja de 0,5l mais barata sai por R$13. Propaganda é um restaurante/bar, mas também a boate mais antiga de Moscou. À noite, as mesas são retiradas para que o pessoal mexa o esqueleto. Aos domingos, noite LGBT. Na mesma rua do Propaganda, um restaurante decente, mas com preços 30-40% mais baixos. É o PirOgi. http://www.ogipirogi.ru/maroseika.html O serviço é beeeeeem lento, mas os preços compensam o estresse.”

Resposta 2: “Experiência baratíssima e imperdível na Rússia: comer o pastel (chebureki deles) em um bar soviético. Postagem sobre o tema:  https://cafecomkremlin.com/2012/04/06/pastel-com-vodka-num-bar-sovietico-bem-vindo-a-russia/

Fiquei até com fome agora…

 

Bebidas

Ir até a Rússia e não beber é como ir ao Vaticano e não ver o Papa. Não tem como. Vodka aqui na Rússia não desce queimando o estômago. Que atire a primeira pedra quem nunca passou mal com aquela Natasha do Brasil, hein? (risos).

Em termos gerais, acho que vodkas que custem em 200 e 400 rublos (R$ 12 e R$24) são razoáveis. A estrela desta categoria é a Putinka. Sim, sim, em homenagem ao grande salve-salve Vladimir Putin. Putinka é boa pra beber com os amigos antes de sair, pra dar de presente (pela excentricidade do nome) etc.

Se quiser uma vodka de melhor qualidade ou tiver que comprar um presente pra alguém que realmente entenda do assunto, os preços costumam ser entre 500 e 1000 rublos (R$ 30 e R$ 60).

Outra coisa: no geral, os russos SABEM beber. Os segredos: 1) não misturar. Se for para beber vodka, beba vodka. Nada de beber vodka, depois cerveja, depois vinho, depois conhaque, depois vodka de novo. 2) comer. Os russos bebem, mas vão comendo ao mesmo tempo. Pela quantidade de álcool que eles bebem, deveria ser muito mais comum ver gente caindo pelos cantos. Um ou outro faz vexame, mas a maioria sabe beber. (PS: O fato de eles “saberem beber” não significa que bebam pouco. Na verdade, alcoolismo é um grande problema de saúde no país e, consequentemente, demográfico. Mas esta é outra conversa).

Falando em alcoolismo, é bom citar aqui que todas as lojas estão proibidas de vender álcool depois das 23h. Essa é uma das medidas para enfrentar o problema do alcoolismo que eu acabo de mencionar. Quem quiser beber, melhor abastecer cedo.

Putinka

Vodka Putinka

Dinheiro

R$ 1 = 15,80 rublos (02/08/2014)

Aceitam euro e dólar? Na época da Copa, devem aceitar até dinheiro do Banco Imobiliário. hehe

A dica é comprar euro ou dólar e depois trocar para rublos aqui. Nem sei se é possível comprar rublos no Brasil. Na Europa é possível, mas não vale a pena.

Usar o cartão brasileiro fora do país aumenta os gastos em 6,38% por causa do IOF. Fora aquelas conversões que sempre deixam a gente mais pobre. Por outro lado, levar toda a grana em espécie também não é viável nem seguro. Como driblar isso? http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,turista-dribla-alta-do-iof-em-gasto-no-exterior,176551e

Bom lembrar ainda que em muitos lugares da Rússia, cartão simplesmente não é aceito. Até mesmo em Moscou. No Brasil, por exemplo, aceitam cartão até mesmo para comprar uma coxinha na praia. Não é assim na Rússia. O restaurante Propaganda, que eu recomendei no tópico anteiror, não aceita cartão. E estamos falando de um restaurante cool no centro da capital russa. Melhor levar sempre cash na doleira para eventualidades.

Ainda não há Banco do Brasil em Moscou, mas o Banco Central já autorizou que o BB abra um escritório na capital russa. Em fevereiro de 2013, o  vice-presidente de negócios internacionais do banco, Paulo Caffarelli, disse que “a expectativa é que, em dois ou três anos, tenhamos uma agência na Rússia”. http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/banco-do-brasil-abrira-escritorio-em-moscou-4

Idioma

Sorry, mas os russos não falam inglês. E muitas vezes, nem tentam. Esqueça aquele jogo de cintura brasileiro, aquela nossa tentativa de se comunicar até em javanês. Talvez mude durante a Copa, mas é melhor ir preparado. Como?

Aprender o alfabeto cirílico ajuda MUITO. O russo é escrito em outro alfabeto e as indicações nas ruas são quase sempre somente neste alfabeto. Saber ler é ESSENCIAL pra você, pelo menos, poder se localizar. As placas estão no nosso alfabeto APENAS em alguns lugares do centro de Moscou e em quase todo o centro de São Petersburgo. Acredito que haja mais sinalização em inglês daqui a uns anos, mas não tem como garantir. Aprender o alfabeto é mais simples do que você imagina. Comprar (ou baixar) um guia de conversação também é útil.

Olhem o alfabeto aqui:

alfabeto

Quero ir à Rússia e aproveitar para viajar “por ali”. Quanto custa?

Viajar é sempre bom. Já que chegar até a Rússia é tão caro e longe, com certeza muita gente vai querer aproveitar para dar mais uma “rodadinha”, né?

1) Europa

Como brasileiros não precisam de visto nem para a Europa nem para a Rússia, este pode ser o momento para concretizar o sonho defazer aquele famoso mochilão pelo Velho Continente. De Moscou, já há várias companhias de baixo custo (as famosas “low cost”, que não servem nem água, mas que têm passagens a preços muito convidativos).

Claro que não tem como prever os preços em 2018 – esperemos que sejam ainda mais baixos -, mas vou colocar aqui uma lista de destinos e seus preços, ida-e-volta, saindo de Moscou:

-> Manchester (Reino Unido): R$ 150

-> Londres (Reino Unido): R$ 230

-> Viena (Áustria): R$ 240

-> Kiev (Ucrânia): R$ 242

-> Munique (Alemanha): R$ 297

-> Vilnius (Lituânia): R$ 340

-> Berlim (Alemanha): R$ 346

-> Copenhague (Dinamarca): R$ 355

-> Estocolmo (Suécia): R$ 361

-> Genebra (Suíça): R$ 365

-> Oslo (Noruega): R$ 400

-> Budapeste (Hungria): R$ 431

Outros destinos populares: Paris-França (R$ 525), Roma-Itália (R$ 540), Lisboa-Portugal (R$ 631), Madri-Espanha (R$ 640),

*** Esta lista é útil também porque se aparecer alguma promoção de voo do Brasil, por exemplo, para Londres, você sabe que depois só precisa adicionar 230 reais para o voo ida e volta de Londres para Moscou.

2) Fora da Europa

Moscou está muito bem situada geograficamente. Fica perto da Europa, do Oriente Médio, da Ásia. Quem for ainda mais aventureiro (e tiver mais tempo e dinheiro) pode se jogar no mundão. Veja a lista das passagens, ida-e-volta, de Moscou para algumas cidades do planeta:

-> Istambul (Turquia): R$ 452

-> Tel-Aviv (Israel): R$ 489

-> Beirute (Líbano): R$ 537

-> Beijing (China): R$ 774

-> Cairo (Egito): R$ 783

-> Nova York (EUA): R$ 1.015

-> Nova Déli (Índia): R$ 1.053

-> Bangkok (Tailândia): R$ 1.200 (especialmente para a leitora Anna Sommers, que me deu a ideia deste tópico sobre viagens a partir de Moscou)

Fica uma outra dica: Turquia, Egito e Tailândia são destinos extremamente populares para os russos, já que eles não precisam de visto. Na maioria das vezes, comprar pacote de viagem é muito mais barato. Mesmo quem prefere viajar de maneira independente (como eu), pode ser que valha a pena olhar preços de pacotes para aproveitar, pelo menos, a passagem de avião e o hotel.

 

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Copa na Rússia – eu vou! (post 1)

Caros amigos do blog,

A Copa 2014 no Brasil acabou há pouco mais uma semana, mas já há uma legião de brasileiros sonhando com a Copa 2018 na Rússia. Fui convidado para participar de uma comunidade no Facebook chamada “Copa do Mundo Rússia – eu vou” (https://www.facebook.com/groups/Russia2018euvou) e muitas pessoas estão levando a sério a expressão “organizar com antecedência”. Talvez muitos desistam no meio do caminho, mas diante de tantas dúvidas a respeito da Rússia, resolvi criar este post para responder a algumas delas. Vamos lá?

– Visto

Brasileiros NÃO precisam de visto para ficar como turista até 90 dias na Rússia. Mas atenção: não é possível entrar somente com o RG (identidade). É necessário ter um passaporte válido. Rússia não é Mercosul e nossa identidade não tem nenhuma validade por lá. Vi esta dúvida no fórum e achei que seria bom esclarecer. De qualquer maneira, as autoridades russas prometeram que durante a Copa os torcedores não precisarão de visto. Resta saber se somentes aqueles com ingressos ou se a Rússia vai flexibizar a política de vistos durante o campeonato. Vale lembrar que os europeus precisam de visto pra visitar a Rússia. É um processo um tanto quanto burocrático e caro. Sorte nossa não precisar.

– Temperaturas

Frio. Sempre. Assustei? Pois é bem isso. Se você não for do sul do Brasil, com certeza vai “congelar”. Ué, mas não é verão em junho? Ergh… bem… sim… Mas é a Rússia. Há duas semanas, estávamos a 9°C em Moscou, em pleno mês de julho. E não faz calor? Faz, claro. Mas as temperaturas dificilmente passam dos 30°C por muitos dias seguidos. Segundo o site Pogoda.ru.net, as temperaturas médias, entre junho e julho, variam entre 12 e 24°C em Moscou, 11 e 22°C em São Petersburgo, 10 e 22°C em Kaliningrado, 12 e 24°C em Ecaterimburgo e 16 e 26°C em Sôtchi (palco das Olimpíadas de Inverno deste ano e cidade com clima mais agradável entre as cidades-sede). Ou seja, quem for à Rússia, mesmo no verão, tem que levar um casaquinho pelo menos à noite – cariocas levarão luva e cachecol (risos de um carioca). Uma opção é entrar no clima do país e beber vodka. Prometo: aquece.

Cidades-sede: entendendo a geografia

Cidades-sede Russia O Brasil é grande. Mas a Rússia é imensa. Somente para efeito de comparação, a Rússia é EXATAMENTE o dobro do Brasil, em extensão territorial (isso sem contar a Crimeia). Falemos de distâncias? A cidade-sede mais ao sul é Sôtchi, a 2,3 mil km da cidade mais ao norte, São Petersburgo. A cidade mais a oeste é Kaliningrado, a 3 mil km* da cidade-sede mais a leste, Ecaterimburgo. * 3 mil km equivale à distância aproximada entre Porto Alegre e Salvador).

Viajar de trem entre as cidades é bem simples e até mesmo barato, mas um pouquinho demorado.

Como comprar passagens de trem na Rússia? Eu tenho um post bem explicadinho sobre isso. Confira aqui: http://omundano.com/2013/01/03/como-viajar-de-trem-pela-russia/

– Acomodação (parte 1)

Este é sem dúvida o grande problema para os viajantes (melhor dito, para os mochileiros e pessoas que estão com o orçamento apertado). Há albergues na cidade, mas ainda estamos muito aquém da variedade de opções que há nos países da Europa ocidental, por exemplo.

Quase todas as pessoas que eu conheço ficaram no albergue Napoleon (http://www.napoleonhostel.com), que custa pouco mais de R$ 30 a noite. A localização é perfeita, bem no centro do meu bairro preferido de Moscou – Kitay Gorod. É uma área com muitos bares e restaurantes e, apesar de estar bem pertinho do Kremlin, os preços são acessíveis. O bairro é frequentado pela galerinha cool de Moscou, jovens descolados que falam vários idiomas e muitos expats.

Uma alternativa ainda mais barata é utilizar o site CouchSurfing (www.couchsurfing.org). A página funciona como uma rede de viajantes dispostos a receber desconhecidos (de graça) em suas casas em troca de um bom papo e (quem sabe?) uma nova amizade. A comunidade do CouchSurfing de Moscou é muito ativa e a chance de você encontrar um host, alguém que possa te acolher, é bem grande. A ideia do Couch Surfing não é apenas economizar alguns reais/dólares, mas realmente estar em contato com pessoas que possam te trazer uma perspectiva local da cidade, fugindo da atmosfera “Where are you from?” dos albergues. Conheci alguns dos meus melhores amigos pelo site do Couch Surfing e sempre recomendo!!

–> No centro, sem pagar uma fortuna

Nem todo mundo que está lendo o blog é mochileiro radical. Hotel em Moscou é bem caro, mas com alguma organização, é possível ficar no centro sem ter que roubar as moedinhas de nenhuma igreja.

Ibis tem provavelmente o melhor custo-benefício da cidade. Está localizado no coração de Moscou e custa R$ 350 a diária. Reserve com antecedência. O hotel tem o conforto básico, mas sem nenhuma extravagância.

Para hoteis melhores, mas na mesma faixa de preço, busque na zona de Izmayalovo (eles aparecerão facilmente em qualquer busca ordenada por “menor preço”, descartando os dormitórios de albergues). Hoteis com piscina e sauna podem custar os mesmos reais/rublos do Ibis. Quase todos ficam próximos ao metrô e em menos de 20 minutos você estará na Praça Vermelha. São as melhores opções quando você busca em sites como http://www.booking.com

Para os que estão com um orçamento mais, digamos, folgadinho, minhas três recomendações são:

– Ritz: o hotel tem um lounge-bar super legal no terraço, com uma vista sensacional da Praça Vermelha; o inconveniente é estar sempre cheio de celebridades e políticos. Muitas vezes, o hall principal tem tanta gente que parece o metrô carioca na hora do rush. E o staff nem sempre é muito simpático se você não for uma destas celebridades. O preço, óbvio, também está nas estrelas: R$ 1.800 pela diária.

– Hyatt Ararat: o interior parece um navio. E o restaurante no terraço é ótimo, também como uma vista muito boa (não tão boa como a do Ritz). Valores a partir de R$ 1.160.

– Metropol (não tem a chiqueza exagerada do vizinho Hyatt Ararat nem a vista do Ritz, mas um staff super simpático, a arquitetura Art Nouveau e uma ótima atmosfera fazem deste o meu hotel chique preferido de Moscou. Os valores começam em R$ 550, se você tiver sorte.

Próximos posts: camping, alimentação, idioma, cidades-sede, dinheiro, costumes e hábitos, vodka, lavanderia etc

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