Feriado na Rússia é dia de … manifestação

Manifestação de apoio a Putin leva mais de 100 mil pessoas às ruas de Moscou

No dia em que a Rússia celebra o Dia do Protetor da Pátria, mais conhecido como Dia do Homem, milhares de russos aproveitaram o feriado para mais uma vez sair às ruas para protestar. A apenas dez dias das eleições presidenciais, o dia foi marcado por uma intensa atividade política em Moscou e em outras cidades da Rússia.

O dia começou com uma passeata no sul da capital russa, organizada pelos movimentos que apóiam o atual primeiro-ministro e candidato à presidência, Vladimir Putin. O evento contou com a presença de aproximadamente 30 mil pessoas, muitos deles usando fitas brancas, azuis e vermelhas, as cores da bandeira russa. Os participantes carregavam cartazes com frases como “Escolha o caminho certo”, “Nós escolhemos a estabilidade, nós escolhemos Putin”, “A História é escrita por nós”, “Putin – o nosso presidente”. Bandeiras do Império Russo também foram vistas.

Os participantes dos protestos pró-Putin foram alvo de deboche na imprensa independente russa na última semana, quando vídeos feitos pela oposição em um protesto em São Petersburgo mostraram que muitas pessoas nem sabiam que cartazes estavam carregando ou o que significavam algumas frases.

Decidimos fazer um teste. Um manifestante pró-Putin carregava um intrigante cartaz com o desenho do globo terrestre, de uma porta e de uma bola de futebol. Perguntado sobre o significado daquele cartaz, o jovem respondeu que o globo terrestre significa os desafios da Rússia no mundo e a porta simboliza as oportunidades que estão por vir. “E a bola de futebol?”, insistimos. “Por que você quer saber sobre a bola de futebol? Você não gosta de futebol?”, respondeu o jovem, pondo um fim à conversa.

Após a passeata, muitos manifestantes seguiram para o Estádio Lujniki, onde teve lugar o maior dos eventos do dia. Na entrada do estádio, uma faixa com os dizeres “Nosso voto para Putin” dividia a atenção com uma estátua de Lênin.

O encontro contou com praticamente toda a liderança do partido governista Rússia Unida e incluiu um show de cantores russos populares, discursos de políticos, jornalistas, representantes de sindicatos e do prefeito de Moscou, Sergey Sobyanin. Nos telões, clipes de celebridades que apóiam o candidato Putin eram mostrados antes que o show começasse.

O evento teve início exatamente às 13h locais (7h em Brasília) com um discurso com forte tom patriótico. “Perdemos muitos russos no século passado e não queremos que tudo tenha sido em vão”. Após a abertura, uma conhecida música pop-romântica animou os participantes, seguida do hino da Rússia. No centro do estádio, dois apresentados animavam o publicado, estimado em pelo menos 100 mil pessoas.

Na fala dos que subiram ao palco, o medo de que a Rússia volte à (caótica) situação dos anos 90 foi ressaltada mais de uma vez. “Hoje temos uma Rússia forte”, repetiram alguns dos convidados. A eleição da Rússia como sede dos Jogos Olímpicos de Inverno, em 2014, e da Copa do Mundo, em 2018, também foi lembrada. O discurso foi moderado e houve poucas críticas à oposição.

Sergey Sobyanin, prefeito de Moscou, chamou Putin de “um cara real, um verdadeiro líder, um homem de palavras e ações” e pediu que as pessoas o apóiem nas próximas eleições.

O apresentador Mikhail Leontiev, por sua vez, disse que agora os russos “têm a oportunidade de escolher seu próprio futuro” e Putin é a escolha certa. E acrescentou que o país não precisa de uma revolução.

Ele foi apoiado pelo presidente do Sindicato Independente da Indústria de Carvão, Ivan Mohnachuk, que disse que “a Rússia precisa de estabilidade” e em nome de milhares de mineiros pediu a que todos fossem às urnas no dia 4 de março para decidir o seu próprio destino.

Os assessores de imprensa do evento informaram que os artistas compareceram ao Estádio Luzhnik sem nenhum cachê. Entre o público, no entanto, especula-se que o partido Rússia Unida tenha mais uma vez pago a milhares de imigrantes da Ásia Central para que participassem do evento governista. Nos anteriores protestos pró-Putin, a oposição divulgou vídeo em que imigrantes faziam fila depois do protesto para receber o pagamento pelo serviço de “manifestante”.

Às 13h30, o candidato Vladimir Putin subiu ao palco e foi ovacionado pelo público, que gravava com suas câmeras digitais o homem que foi o centro da política russa nos últimos 12 anos e que, caso seja eleito e reeleito, pode assumir o poder por outros 12 anos. Putin foi presidente de 2000 a 2008, primeiro-ministro de 2008 a 2012 e, ganhando as eleições de março, assumiria de 2012 a 2018, podendo ser reeleito para ficar no cargo ate 2024.  já que o mandato presidencial na Rússia passou a ser de seis anos em 2008.

O primeiro-ministro começou o discurso agradecendo às pessoas que haviam saído de casa no feriado, com mau-tempo (neve e 0°C) e pediu que os presentes respondessem se eles amavam a Rússia. As dezenas de milhares de pessoas gritaram afirmativamente e o primeiro-ministro russo instou a que a população se unisse para proteger o país e evitar a interferência externa nos assuntos da Rússia. “Nós não permitiremos que ninguém interfira nos nossos assuntos internos e imponha sua vontade porque temos nossa própria vontade”, disse Putin. “Pedimos a todos aqueles que consideram a nossa Rússia sua própria casa, que a apreciem e que acreditam nela. Estejam conosco, trabalhem para ela e seu povo, para amá-la, com todos os nossos corações”, concluiu.

Citando um poema do romancista Mikhail Lermontov, Putin acrescentou: “A batalha da Rússia continua e a vitória será nossa”. No entanto, ganhar as próximas eleições presidenciais em março não é suficiente, disse o primeiro-ministro. Segundo ele, “é preciso superar muitos problemas – a injustiça, a corrupção, a pobreza e a desigualdade”.

O porta-voz do primeiro-ministro Putin, Dmitry Peskov, não descartou a realização de novas ações para apoiar o chefe do governo antes das eleições.

Após os 10 minutos de discurso de Vladimir Putin, o show continuou, mas a maioria das pessoas abandonou o estádio logo após a fala do candidato à presidência. Nas imediações do estádio, ativistas da oposição distribuíam folhetos informativos e faixas onde lia-se “Por eleições justas”.

Do lado de fora do estádio, barracas serviam chá quente e biscoito gratuitamente e comidas típicas da Maslenitsa (semana que antecede a Quaresma no calendario ortodoxo) eram vendidas.

Oposição

O Partido Liberal-Democrata (de tendência nacionalista) e o Partido Comunista também organizaram protestos nesta quinta-feira (23/02). Vladimir Jirinovsky, líder do Partido Liberal-Democrata reuniu 1,5 mil pessoas na cêntrica praça Pushkin, em Moscou e falou durante quase uma hora sobre a necessidade de proteger as fronteiras russas.

O Partido Comunista congregou 2,5 mil pessoas em frente ao mítico teatro Bolshoy, bem ao lado da simbólica estátua de Karl Marx e a alguns metros de uma das entradas da Praça Vermelha. Gennady Zyuganov, líder do partido, pediu aos militantes que garantam a presença de pelo menos cinco observadores do Partido Comunista em cada zona eleitoral.

O movimento “União do povo russo” reuniu 200 pessoas na praça Bolotnaya.

A oposição, apesar de muito fragmentada, espera reunir pelo menos 34 mil pessoas no próximo domingo (26/02), exatamente uma semana antes das eleições presidenciais na Rússia.

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