50 mil russos voltam às ruas contra o resultado das eleições

Comunistas, liberais, nacionalistas e grupos LGBT protestaram juntos esta tarde (12/06) no centro de Moscou, enfrentando a chuva que caía na capital russa e as duras leis recentemente aprovadas para evitar manifestações da oposição.

Dezenas de milhares de pessoas se reuniram para protestar contra os resultados das eleições legislativas de dezembro do ano passado e das presidenciais do último março. É a primeira manifestação após a nomeação de Vladimir Putin como novo presidente da Rússia e o dia do protesto não foi escolhido ao acaso. Hoje é feriado na Rússia e a data lembra a Declaração de Soberania da República Soviética da Rússia, em 1990. O documento é considerado o ponto inicial da democratização do país e o feriado é conhecido como Dia da Rússia.

As bandeiras vermelhas dos comunistas predominaram no ato intitulado de A Marcha dos Milhões, que reuniu aproximadamente 50 mil pessoas. “Eles não vão nos assustar”, cantavam os manifestantes. Uma lei federal que aumenta as multas para participantes de manifestações não-autorizadas foi aprovada em caráter de urgência na última sexta-feira (08/06) podendo chegar a 300 mil rublos (aproximadamente 18 mil reais). “Unidos não poderemos ser vencidos”, dizia uma faixa carregada por um grupo do Partido Comunista, a principal força de oposição do país.

As principais demandas dos manifestantes foram lidas por um dos líderes da oposição, Sergei Udaltsov, e incluem a reforma da legislação política, a liberação de presos políticos e a anulação das eleições presidenciais e legislativas, alegadamente fraudulentas.

Udaltsov citou ainda a importância de que sejam adotadas reformas sociais, como o aumento de salários e de pensões para os aposentados. Os aposentados formaram um grupo numero no ato desta terça-feira.

Entre os manifestantes, havia também alguns grupos estudantis que protestavam contra a privatização da educação na Rússia. O novo ministério de Vladimir Putin, mais liberal que o de Medvedev, pretende copiar o sistema europeu de empréstimos para estudantes que não possam pagar a universidade. Os estudantes receberiam bolsas mensais e devolveriam o dinheiro ao governo quando terminassem a faculdade. A ideia é criticada pela maioria dos estudantes, que defende a educação superior gratuita, como garante a Constituição russa.

O coletivo LGBT também aproveitou a oportunidade para exigir o direito de realização de paradas do orgulho gay no país e para criticar as leis anti-propaganda gay aprovadas em cinco regiões do país, incluindo São Petersburgo, a segunda maior cidade da Rússia.

Num discurso esta manhã, Vladimir Putin acusou a oposição de estar desestabilizando o país e pediu que as forças políticas dialogassem para chegar a um acordo. “Putin já ultrapassou todos os limites do ridículo e agora quer que as pessoas acreditem que tudo está bem no país e que nós, manifestantes, somos um grupo de loucos”, declarou o jovem Yury Martchenko, de 28 anos.

Em um documento oficial colocado na entrada de todos os edifícios da região onde ocorreu a manifestação, a administração distrital pede aos moradores que “tomem cuidado com a manifestação organizada por uma parte radical da sociedade”. O documento solicita que as pessoas não participem do evento, que andem pelos bairros onde acontece o ato que não caminhem pelas ruas próximas. “Recomendamos que vocês avisem aos vizinhos e conhecidos e controlem onde as crianças estão no momento do evento. Apesar de falarem que é um ato pacífico e de ter a aprovação da prefeitura, a manifestação é extremista e anti-governamental”, conclui o documento.

A polícia de Moscou destacou 12.000 homens para garantir a segurança da cidade nesta terça-feira, mas o ato terminou sem nenhum incidente nem prisão. Uma forte chuva caiu no final do evento, ajudando na dispersão da multidão.

A oposição continuará organizando pequenos protestos e flashmobs nas ruas de Moscou, além de acampamento em alguns bulevares importantes da cidade. Em outras partes da Rússia, ativistas também organizaram atos de oposição ao Kremlin. Um nono protesto está previsto para o dia 7 de outubro, aniversário de 60 anos de Vladimir Putin.

Fotos de Dima Kiselev

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