Putin nega autoritarismo na Rússia e rejeita anarquia

Na Rússia não existe “um sistema autoritário”, afirmou nesta quinta-feira o presidente russo, Vladimir Putin, em uma coletiva de imprensa em Moscou, e assegurou que não se deve confundir a democracia com o troskismo e a anarquia.

“Não posso estar de acordo com classificar nosso sistema de autoritário”, afirmou Putin, que citou como exemplo sua rejeição a uma reforma da Constituição que lhe teria permitido em 2008 ser reeleito pela terceira vez consecutiva. “A melhor prova é a decisão de deixar meu posto (de presidente) após dois mandatos. Se tivesse considerado que era melhor optar pela via do autoritarismo, teria mudado a Constituição, era fácil fazer isso”, disse Putin.

Vladimir Putin abandonou seu cargo de presidente em 2008 após dois mandatos de quatro anos. Mas após esse período assumiu a posição de primeiro-ministro, enquanto o ex-chefe de Governo do país Dmitri Medvedev foi eleito presidente. Em maio passado, ao término do primeiro mandato de Medvedev, Vladimir Putin voltou à presidência da Rússia.

“Optei por passar a um segundo plano para mostrar que respeitava as leis”, insistiu Putin. “Se alguém considera que a democracia e o respeito às leis são duas coisas diferentes se equivoca”, disse o presidente russo. “Temos o sentimento de que aqui a democracia é o trotskismo, a anarquia… mas não é o caso”, acrescentou Putin.

Putin também afirmou nesta quinta-feira que a Rússia está disposta a dar residência ou um passaporte ao ator francês Gerard Depardieu, que anunciou recentemente que sairia da França para se instalar na Bélgica. “Se Gerard quer realmente ter um visto de residência ou um passaporte russo, o assunto já está resolvido e de maneira positiva”, disse Putin em uma coletiva de imprensa. “Temos relações amistosas, mas sei que ele se sente francês”, acrescentou Putin.

Segundo o jornal francês Le Monde, Depardieu disse na segunda-feira aos amigos que Putin enviou a ele um passaporte. No entanto, o porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, declarou na quarta-feira que as palavras de Departideu eram “provavelmente uma brincadeira”. No domingo, em uma carta aberta publicada por um jornal, Depardieu criticou o primeiro-ministro francês, Jean-Mark Ayrault, por ter classificado de ruim sua decisão de residir na Bélgica para pagar menos impostos, e o ator anunciou que devolvia seu passaporte francês.

Putin

Relação com os EUA
Putin também diss que uma nova lei dos EUA que pune russos responsáveis por abusos aos direitos humanos está envenenando as relações bilaterais, e sinalizou apoio a uma medida retaliatória que proíba a adoção de crianças russas por americanos.

Putin qualificou de “muito ruim” a lei sancionada na semana passada por seu colega norte-americano, Barack Obama, que prevê a não-concessão de vistos e o congelamento de bens de russos que sejam acusados de violar direitos humanos. “É claro que isso envenena nossa relação”, afirmou Putin.

Os dois presidentes já indicaram a intenção de se melhorarem suas relações depois de suas vitórias nas respectivas eleições, neste ano. Mas a divergência acerca dos direitos humanos ameaça tais esforços.

Putin sinalizou que deve sancionar a lei, já aprovada pelos deputados, que proíbe a adoção de crianças russas por cidadãos dos EUA e barra a entrada na Rússia de americanos que cometam abusos contra os direitos dos russos. “É uma resposta emocional da Duma Estatal (Câmara dos Deputados), mas é uma resposta apropriada”, disse Putin.

A polêmica começou quando o Congresso dos EUA aprovou uma lei que determina que os EUA – inimigos da Rússia durante a Guerra Fria – rejeitem a concessão de vistos a violadores russos de direitos humanos. A lei foi redigida como reação à morte, ocorrida em 2009 numa prisão russa, do advogado Sergei Magnitsky, especializado em casos de corrupção.

Apesar de apoiar o projeto que tramitou na Duma, Putin disse que espera restringir a disputa com os EUA. O Kremlin diz que Obama visitará a Rússia no começo de 2013.

Durante sua primeira passagem pela Presidência, entre 2000 e 2008, Putin inaugurou a tradição de conceder longas entrevistas coletivas anuais para mostrar seu domínio sobre as minúcias da administração.

Com informações das agências Reuters e AFP

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